Origem da Pavimentação intertravada
O conceito de unidades de pavimentação poliédrica sobre base compactada e lastro de areia é muito antigo. Os primeiros trechos de estrada pavimentada com pedras justapostas foram construídos por volta de 3000 a.C. pelos Cretenses, também conhecidos como Minóicos.
Com abundância de mão de obra e domínio militar, os romanos construíram um extenso sistema de estradas há mais de 1.900 anos. Essa rede, composta por milhares de quilômetros de vias, suportava condições de tráfego severo e intenso. Desde então, diversas culturas continuaram a utilizar calçamentos segmentares com pedras justapostas.
Um testemunho dessa engenharia é a Via Ápia, famoso caminho de 660 km que cruza a Itália, ligando Roma à cidade de Brindisi, no sul do país. Daí surge a expressão: “Todos os caminhos levam a Roma.”
No Brasil, essa técnica foi utilizada pelos indígenas nos Caminhos de Peabiru de São Thomé, um emaranhado de trilhas que interligava aldeias do litoral sul do Brasil a povos do Paraguai, Bolívia e Peru.
Após a Segunda Guerra Mundial, durante a reconstrução das cidades, a pavimentação poliédrica com pedras passou por um renascimento significativo. O engenheiro alemão Fritz Von Langsdorff desenvolveu pequenas peças de concreto com dimensões modulares padronizadas, caracterizadas pela facilidade de assentamento, alta resistência à compressão e baixa absorção de umidade. As primeiras obras com essa alternativa, hoje conhecida como pavimento intertravado com pavers, foram realizadas em Stuttgart, Alemanha, berço da Mercedes-Benz e Porsche.
No final da década de 1960, os alemães já possuíam máquinas eficientes para a produção de pavers de concreto. Na década de 1970, essa tecnologia se expandiu rapidamente para a Inglaterra, o restante da Europa, Austrália, Nova Zelândia e África.
No final dos anos 1970, a pavimentação com pavers foi introduzida no Canadá e logo se espalhou pelos Estados Unidos. Atualmente, Europa e EUA produzem mais de um bilhão de metros quadrados desse tipo de pavimento. A partir de 1994, as vendas norte-americanas de pavers alcançaram quase 20 milhões de metros quadrados. Embora seja um número expressivo, ainda é pequeno se comparado aos 430 milhões de metros quadrados vendidos globalmente.
O pavimento intertravado caracteriza-se como um pavimento flexível. Essa flexibilidade permite que a pressão seja distribuída por contato ponto a ponto, interligando-se com o agregado. A base protege o solo contra deformações e se ajusta a pressões intensas, retornando à posição original. Isso confere uma vantagem sobre pavimentos rígidos, como concreto e asfalto, que tendem a trincar mais facilmente com o movimento da base ou devido a variações climáticas. Além disso, os pavers são altamente resistentes à compressão, abrasão e agentes agressivos, como sais, produtos químicos derivados de petróleo e gasolina, que podem danificar o asfalto. Outra vantagem é que o pavimento intertravado fica pronto para uso imediatamente após a instalação, sem necessidade de cura ou secagem, e pode ser facilmente reparado com equipamentos e materiais simples.
No Brasil, o uso do piso intertravado cresceu significativamente a partir da década de 1990, impulsionado por obras emblemáticas como a Rua XV de Novembro, em Blumenau (SC), e o trecho de serra da estrada que liga Cunha (SP) a Paraty (RJ).
A Arevale orgulha-se de produzir pavers de altíssima qualidade, destinados à confecção de pavimentos intertravados, seguindo rigorosamente todas as exigências da NBR 9781.
Artigo produzido pelo Eng. Idário Fernandes - Doutor Bloco Consultoria
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