O Crescimento do Mercado da Construção Civil e Imobiliário em 2025: Uma Visão Realista e Otimista
Introdução
Ao longo dos últimos anos, venho acompanhando a relação entre os ciclos econômicos e o desempenho do setor da construção civil. Gosto de analisar recortes que ajudam a entender como a economia impacta diretamente o canteiro de obras — e, por isso, resolvi compartilhar esta visão com você.
O Vale do Paraíba, com sua particularidade econômica e geográfica, tem sido um termômetro interessante. Ele reflete, em muitos aspectos, o que há de mais promissor no cenário nacional. E, com base nos dados e comportamentos recentes, podemos olhar para 2025 com uma perspectiva realista e, por que não, otimista.
Da crise à recuperação: o que os últimos anos nos ensinaram
2014–2019: quando a construção parou
Entre 2014 e 2019, o Brasil viveu uma crise econômica prolongada. O PIB praticamente não cresceu, e o setor da construção civil foi um dos mais afetados. Com crédito escasso, desemprego alto e insegurança econômica, os investimentos encolheram. O resultado foi uma queda contínua da participação da construção no PIB, chegando a níveis historicamente baixos em 2018.
2022–2024: um novo ciclo de estabilização
A partir de 2022, já no pós-pandemia, o setor começou a se reestruturar. Programas de incentivo, melhores condições de crédito e o retorno da demanda por imóveis trouxeram fôlego novo para o mercado. Diferente dos booms vividos em décadas passadas, o crescimento atual é mais contido, mas também mais sólido. A construção voltou a crescer, acompanhando um PIB em ritmo moderado.
O que esperar para 2025?
A projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) indica um crescimento de 2,3% no PIB brasileiro em 2025. Historicamente, o setor da construção acompanha esse movimento, mas não de forma automática. O mercado imobiliário, por exemplo, responde a fatores como:
· Taxas de financiamento
· Políticas habitacionais
· Dinâmica demográfica
Entre 2022 e 2024, houve uma leve redução no número de lançamentos. No entanto, o volume de imóveis entregues nesse curto período foi recorde. Isso mostra que o mercado segue aquecido, mesmo em ritmo mais equilibrado.
Imóveis ainda despertam grande interesse
O desejo de compra por imóveis continua forte, sustentado por três principais fatores:
Políticas de incentivo: programas habitacionais e juros controlados mantêm o setor aquecido.
Urbanização e crescimento populacional: a demanda por moradia nos grandes centros segue intensa.
Equilíbrio entre oferta e demanda: mesmo com menos lançamentos, o mercado continua absorvendo os estoques, o que evita excessos.
O otimismo de 2021 deu lugar a uma onda de pessimismo em muitos segmentos. Mas a verdade está no meio-termo. O mercado da construção civil hoje é movido por uma demanda sólida, que já funciona quase como uma engrenagem autônoma — parcialmente independente do humor político e econômico.
A única grande preocupação, apontada por empresários da região, é a escassez de mão de obra qualificada. E esse é um tema que merece um artigo à parte.

Artigo escrito por Murilo Barbosa, diretor da BID Gerenciamento, empresa patrocinadora da Aconvap.

Por Aconvap
22 de abril de 2025